5 de mai de 2017

Zona de Conforto

Li em algum lugar que existem palavras e expressões que andam na moda por um tempo e depois voltam a sumir, não lembro o nome que deram a isso, mas o artigo ressaltava que existe uma expressão que anda em alta já há um tempo considerável. Se você leu o título, já sabe: é a "Zona de Conforto"

Não vou entrar no mérito aqui sobre como se classifica uma zona de conforto, o que é, como sair dela, do que se alimentam e onde vivem. Mas sobre uma coisa que me dei conta na estrada: Como é fácil entrar nela.

Foi numa viagem. Ouvi a vida inteira sobre como os trens britânicos são referencia por sua pontualidade, e lá estava eu, num trem indo de Holyhead (País de Gales) para Londres, com conexão em Chester. Mais ou menos na metade do trajeto de Holyhead para Chester, o trem ficou parado por menos de 10 minutos, com o maquinista (acho que foi a primeira vez que escrevi a palavra "maquinista", e nem sei se nos trens modernos ainda se chama "maquinista") explicando que a parada aconteceu por conta de um outro trem que estava parado mais a frente.

Porém, esses poucos minutos foram o suficiente para eu perder a conexão, já era tarde da noite, numa cidade que não sabia o que esperar, com hostel já pago me esperando no destino final, sem sinal de celular pra avisar a família que talvez não fosse chegar em Londres naquele dia ainda. O desespero começou a bater e parece que a capacidade de falar uma outra língua está inversamente proporcional ao seu desespero.

Por fim, depois de falar com um algumas pessoas, um sujeito com ar de autoridade finalmente conseguiu me ajudar: após ouvir a história, me levou até uma sala e imprimiu novos bilhetes. Depois, tive que pegar um outro trem para Crewe, uma cidade ali perto, numa plataforma sem identificação alguma, perguntei para umas 5 pessoas se aquele trem realmente ia para Crewe, e de lá, finalmente o trem para Londres. Trem esse que tenho certeza que entrei no vagão errado, era meio luxuoso, muito confortável, mas ainda na dúvida se ele ia mesmo para Londres, afinal, também não havia sinalização nenhuma. Quando o finalmente cheguei na estação de Euston, me senti literalmente em casa, era uma caminhada pequena até o hostel que estava hospedado que eu conhecia e o caminho era muito familiar, os pubs, os restaurantes fechados, os mercados.

Mas tem algo de errado nisso, eu nunca morei em Londres, não conheço a cidade a ponto de me "sentir em casa". Já havia estado em Londres nessa mesma viagem, anteriormente, mas era a primeira viagem em que ia à Londres. Até aquele momento da minha vida, aquela seria a quarta noite em que passaria naquela cidade. Como poderia me sentir em casa?

Esse é apenas um exemplo de como fazemos de tudo pra sair da zona de conforto, vamos à um lugar desconhecido e no primeiro apuro, buscamos a zona de conforto mais próxima.

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